MAIS UM POUCO DA HISTÓRIA DE JAÍBA
A Jaíba está prestes a comemorar no próximo dia 27/04 seus 20 anos de
emancipação, e juntamente ao aniversário seguirá a nossa tradicional Festa da Banana. Mas a sua verdadeira história data de tempos mais antigos, conforme matéria publicada pelo Jornal Folha de Jaíba em 25 de abril de 2011 pelo jornalista Elton Paixão, à qual repito aqui em virtude da sua grande relevância. Segundo a matéria "o
município foi criado em 27 de abril de 1992, depois de muita luta de um
grupo de moradores locais, mais conhecidos como emancipacionistas, que
fundaram uma associação para montar os trabalhos para desmembrar a Jaíba
dos municípios de Manga e Monte Azul. A luta foi árdua, pois este
município nem sequer era distrito, estava apenas na condição se
sub-distrito de Matias Cardoso, que também não era emancipado, mas já
era legalmente um distrito.

Jahyba
– Jaíba, um vocábulo tupi guarani que significa água salobra, água ruim
(desde aquela época já sabiam que a água do rio Verde tem um péssimo
paladar). O primeiro habitante que fixou residência em Jaíba, chegou por
aqui em 1950. O senhor teodósio Cardoso, juntamente com sua esposa,
dona Teodora, e dois filhos legítimos, Rocão e Marinho e mais outro
filho adotivo, conhecido como Saturnino; foram os primeiros moradores
desta localidade, e a vinda desta família para Jaíba, assemelha-se com a
história do personagem bíblico Noé, que construiu a arca prevendo o
dilúvio e perpetuando as espécies animais.
O
senhor Teodósio e família vieram trazendo vários casais de animais como
cachorro, porco, galinha, bode e gato. Ele pretendia fixar residência e
veio da fazenda Sabonetal, de propriedade do coronel Elpídio da Rocha,
da cidade de Capitão Enéas. O percurso foi dos mais complicados, sendo
que a única referencia era seguir as margens do rio Verde Grande. Após
longa caminhada desta família, que transportava vários apetrechos como
animais de carga, ferramentas, armas, munições, e abrindo picadas com
foice e machado, eles encontraram uma trilha que ligava Matias Cardoso a
São José do Gorutuba. Logo encontrando esta trilha, surgiu a vontade de
habitar por aqui, construindo um barraco de pau a pique às margens do
rio Verde, no fundo do atual clube Vale do jaíba, um dos locais de maior
altitude.
Surge o Projeto Jaíba para suprir o país de alimentos
A
chegada desta família por aqui coincidiu com o início dos trabalhos do
Governo Federal de colonizar a Mata da Jaíba, que era bastante rica de
fauna e flora e muita terra fértil. O órgão de colonização do governo
quis a área do barraco do senhor Teodósio para construir sua sede. Foi
então negociado e a primeira família jaibense foi residir num local
próximo denominado “Corrida do Saião”, também à margem do mesmo rio.
A
grande fama do senhor Teodósio, era a arte de curandeiro e benzedura,
que, por sua atuação, atraia moradores de toda região, sendo que naquela
época a maleita ceifou várias vidas.
O
governo Getúlio Vargas, temendo os efeitos do pós guerra de 1945,
iniciou os trabalhos para instalação do Projeto Jaíba, que visava
produzir uma gama enorme de alimentos para atender a demanda local e
demais paises atingidos. Várias equipes do Governo Federal começaram a
visitar Jaiba num trabalho de colonização e reforma agrária. Naquela
época existiam apenas dois campos de pouso naturais e improvisados sendo
um em Barreiro/Verdelandia e outro em Matias Cardoso, que foram descobertos em vôos de reconhecimento.
Quando
iniciou os trabalhos de colonização, as cidades pólos, eram Montes
Claros e Espinosa, e a navegação do rio São Francisco, que trouxe vários
equipamentos como tratores de esteira e outros. O órgão do governo era o
INDA – Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário – e os primeiros
funcionários e também moradores foram os engenheiros Zoé Machado e Raio
Cristhoff que morreram em trágico acidente aéreo chocando a aeronave na
serra de Matias Cardoso. Teve também outros funcionários como Argemiro
Souza Lima, Cassiano Gonçalves, Eulálio Praxedes e João Folha. O
trabalho dos primeiros funcionários do INDA era abertura de picadas na
mata da Jaíba e entrega dos lotes de 30 hectares para os forasteiros que iam chegando.
Os
primeiros povoados foram criados com os nomes de “Avenida” (atualmente
Beta), e “Rua de Tábua”. A fonte desta e várias outras histórias é do
primeiro farmacêutico de Jaíba, senhor Amandio José de Carvalho, que
instalou por aqui em 1965."
Por: Wagner Fabrício